Benefícios dos
Serviços Assistidos por Animais
Os Serviços Assistidos por Animais vêm sendo estudados em diferentes contextos de saúde, educação e suporte, com crianças, adultos e idosos.
As pesquisas investigam possíveis efeitos dessa interação em aspectos emocionais, sociais, cognitivos e físicos — de ansiedade e percepção de estresse à comunicação, participação em atividades e qualidade de vida.
Os resultados, porém, não são iguais para todas as pessoas ou situações. Os efeitos podem variar de acordo com o público, o objetivo da atividade, sua duração, o animal envolvido e a forma como o serviço é realizado.
O que as pesquisas têm observado
Bem-estar emocional e redução do estresse
A interação com animais tem sido estudada por seu potencial de proporcionar conforto, reduzir ansiedade e favorecer experiências emocionalmente positivas.
Em ambientes hospitalares pediátricos, por exemplo, revisões sistemáticas encontraram resultados promissores para redução de ansiedade e sofrimento comportamental, embora os próprios pesquisadores ressaltem a necessidade de estudos mais rigorosos.
O que aparece nas pesquisas:
redução de ansiedade • redução de estresse • humor • conforto • percepção de bem-estar
Fontes: Revisão sistemática em pediatria hospitalar (2022) · Chang et al. (2021)
Vínculo, interação social e comunicação
O animal pode funcionar como um facilitador da interação, criando oportunidades de contato, comunicação e participação social.
Esse efeito tem sido investigado especialmente em públicos que podem enfrentar dificuldades de comunicação ou isolamento. Em uma revisão sobre pessoas com demência, por exemplo, 11 de 12 estudos que avaliaram interação social observaram aumento desse comportamento.
Pesquisas com pessoas no espectro autista também encontram resultados promissores em alguns aspectos da comunicação social, embora não em todos os desfechos avaliados. Uma meta-análise de 45 estudos e 1.212 participantes encontrou melhora em comunicação social, mas não encontrou efeito significativo em outras dimensões, como cognição e motivação sociais.
O que aparece nas pesquisas:
interação social • comunicação • vínculo • participação • sociabilidade
Fontes: Dimolareva & Dunn (2021) · Meta-análise sobre TEA (2024)
Engajamento, motivação e participação
A presença do animal pode tornar determinadas atividades mais convidativas e estimular a participação.
Por isso, os SAA são estudados também em ambientes educacionais, terapêuticos e institucionais, nos quais engajamento e participação fazem parte dos objetivos da atividade.
Uma revisão sistemática de intervenções realizadas em escolas encontrou resultados positivos em diferentes áreas, mas também grande variação entre os estudos em métodos, tamanho das amostras, duração das atividades e formas de avaliação.
O animal não substitui a atividade ou o profissional. Ele passa a fazer parte de uma experiência planejada com determinado objetivo.
Fonte: Brelsford et al. (2017)
Cognição, aprendizagem e desenvolvimento
Animais também são incluídos em atividades voltadas à atenção, memória, aprendizagem, linguagem e desenvolvimento de habilidades.
Em contextos educacionais, estudos investigam desde leitura e comunicação até comportamento, atenção e participação em sala de aula.
Os resultados são promissores em algumas áreas, mas ainda não permitem afirmar que a presença de um animal, por si só, melhora a aprendizagem. As pesquisas disponíveis utilizam métodos e intervenções bastante diferentes entre si.
O que aparece nas pesquisas:
atenção • linguagem • leitura • memória • aprendizagem • desenvolvimento de habilidades
Fontes: Brelsford et al. (2017) · Dimolareva & Dunn (2021)
Qualidade de vida e conexão social
Companhia, interação e oportunidade de vínculo fazem com que os SAA também sejam estudados em relação à solidão, isolamento social e qualidade de vida.
Esses temas aparecem com frequência nas pesquisas com idosos e pessoas que vivem em instituições de longa permanência.
Uma meta-análise sobre intervenções para solidão em idosos encontrou resultados particularmente promissores para intervenções com animais em instituições de longa permanência — mas com alta heterogeneidade entre os estudos, o que exige cautela na interpretação do tamanho do efeito.
Outra meta-análise encontrou potencial de melhora na qualidade de vida de idosos, a partir de sete estudos experimentais.
O que aparece nas pesquisas:
solidão • conexão social • qualidade de vida • participação • bem-estar
Fontes: Chang et al. (2021) · Babka et al. (2021) · Chen et al. (2022)
Aspectos físicos e funcionais
Dependendo da modalidade e de seus objetivos, os SAA também podem envolver movimento, coordenação, equilíbrio e outras habilidades físicas e funcionais.
Nesses casos, o benefício não vem simplesmente da presença do animal: ele faz parte de uma atividade estruturada, conduzida de acordo com os objetivos estabelecidos para aquela pessoa ou grupo.
Por isso, os resultados precisam ser interpretados de acordo com a modalidade de serviço, o profissional envolvido e a população atendida.
Fontes: Beetz et al. (2012) · Bargigli et al. (2026)
A ciência também investiga as respostas fisiológicas da interação humano-animal
Além dos efeitos percebidos ou observados no comportamento, pesquisadores estudam o que acontece no organismo durante interações positivas entre pessoas e animais.
Entre os indicadores investigados estão:
Cortisol
Hormônio relacionado à resposta ao estresse. Alguns estudos observam redução de seus níveis após interações positivas com animais.
Oxitocina
Relacionada, entre outras funções, aos processos de vínculo e interação social. Alterações em seus níveis têm sido observadas em estudos sobre interação entre humanos e animais.
Frequência cardíaca e pressão arterial
Também são utilizadas como indicadores para investigar respostas fisiológicas associadas a estados de ativação e relaxamento.
Outros indicadores
Variabilidade da frequência cardíaca e outros marcadores neuroendócrinos e autonômicos também vêm sendo estudados.
Os resultados dependem do tipo de interação, vínculo entre pessoa e animal, contexto, duração e método utilizado para medir essas respostas. Estudos mais recentes sobre a fisiologia da interação humano-animal continuam encontrando resultados promissores, mas também heterogeneidade e limitações metodológicas.
A interação humano-animal pode produzir respostas fisiológicas mensuráveis, mas seus mecanismos ainda continuam sendo investigados.
Não existe um único resultado esperado dos Serviços Assistidos por Animais
Uma visita recreativa em um hospital, uma atividade educacional e uma intervenção conduzida por um profissional de saúde podem envolver animais, mas possuem objetivos diferentes.
Da mesma forma, crianças, idosos, pessoas hospitalizadas ou pessoas com necessidades específicas podem responder de maneiras diferentes à interação.
É por isso que os estudos sobre SAA precisam ser interpretados considerando quem participa, qual é o objetivo, como a atividade acontece e quais resultados estão sendo avaliados.
Crianças e adolescentes
Estresse e ansiedade durante hospitalização, comunicação, interação social, aprendizagem e desenvolvimento. Revisões em ambiente hospitalar encontram resultados promissores sobretudo para ansiedade e sofrimento emocional.
Fontes: Brelsford et al. (2017) · Revisão sistemática em pediatria hospitalar (2022)
Pessoas idosas
Solidão, qualidade de vida, interação social, humor e participação em atividades.
Fontes: Chang et al. (2021) · Babka et al. (2021)
Pessoas com demência
Interação social, depressão, agitação e qualidade de vida estão entre os desfechos investigados. A evidência é mais consistente para alguns resultados do que para outros: uma meta-análise encontrou redução de depressão, mas não melhora significativa em cognição, independência nas atividades diárias ou sintomas neuropsiquiátricos de maneira geral.
Fontes: Chen et al. (2022) · Babka et al. (2021)
Pessoas no espectro autista
Há estudos envolvendo autismo, trauma e outras condições. Os resultados são promissores em determinados desfechos, mas variam bastante entre populações e formatos de intervenção. Uma revisão sistemática recente sobre intervenções assistidas por cães continua apontando essa diversidade da evidência.
Fontes: Dimolareva & Dunn (2021) · Meta-análise sobre TEA (2024)
Uma área que continua evoluindo
A pesquisa sobre interação humano-animal e Serviços Assistidos por Animais continua crescendo.
Novos estudos ajudam a compreender não apenas se essas atividades podem produzir benefícios, mas para quem, em quais contextos, de que maneira e sob quais condições eles podem ocorrer.
A própria terminologia da área continua evoluindo. Em 2024, a IAHAIO anunciou a adoção internacional do termo Animal-Assisted Services, organizado nas áreas de Treatment, Education e Support Programs — mudança que vocês já incorporaram no site como Serviços Assistidos por Animais.
Na Patas Therapeutas, acompanhamos essa evolução e buscamos orientar nossa atuação a partir de referências técnicas, evidências científicas e da experiência construída desde 2012.
Quer se aprofundar?
Reunimos estudos, revisões e publicações nacionais e internacionais sobre interação humano-animal e Serviços Assistidos por Animais.

